03 dezembro 2011

Papai Noel



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Ah, a figura do bondoso velhinho de barbas longas e brancas como neve e de pele rosada, protegido contra o frio em trajes vermelhos, viajando pelo mundo em uma única noite com sua caravana de oito ovelhas que puxam um trenó carregado de presentes...
Resolvi falar sobre ele, mais especificamente da polêmica que rola por trás da sua inocente ilustre figura.
Época do Natal aí, todo aquele clima, e não pude deixar de reparar em como alguns religiosos cristãos condenam o Papai Noel, alegando que ele ofusca todo o sentido do Natal, que é o nascimento de Cristo Salvador. Já vou logo dizendo que não quero afrontar ninguém com isso, nem defender o bom velhinho (até porque não se defende algo que não existe). Então prossigamos.
É bem verdade que o comércio usa freneticamente a figura do Papai Noel, o relacionando com os presentes e colocando o consumo, que lógico, é o objetivo deles, no centro. Isso é característica vital, eu diria, da nossa sociedade atual. Mas vejamos o que é exatamente a ideia do generoso ancião. Na verdade, há várias fontes, crenças e nomes diferentes pra essa figura, a exemplo de São Nicolau, São Basílio, entre outros. A ideia desse "santo" se ocidentalizou e se modernizou, simplesmente, e hoje é mantida pela influência forte dos países do Norte, exatamente como descrevi lá em cima. A ideia em volta do Papai Noel é de um espírito de generosidade, confraternização, compreensão e bons votos. Papai Noel é meramente folclórico, mas não deixa de ser algo bom.

Não entendo muito a cabeça desses cristãos radicais e tenho medo de perguntar a eles sobre, mas acho que eles veem o bom velhinho como algo não-digno, ou melhor, não-divino, por não estar na Bíblia ou algo do tipo. Bom, ele é algo tão mítico quanto o Superman e quanto Jesus; a diferença é que a Bíblia é várias vezes mais respeitada. Acho extremamente confuso o fato de nosso calendário ser todo baseado na Bíblia, do "ponto zero" da cronologia ser marcada pelo nascimento de Jesus (que não fazemos ideia de quando foi exatamente), e o nascimento dele ser datado em 25 de Dezembro, final do ano.
Enfim, o Papai Noel meio que se mescla com a fé cristã no momento que ele vem justamente na véspera do tal dia, e apesar de sabermos que é somente um lenda (nada se comparado ao explendor da Bíblia), se tornou natural pra nós. E é isso; quando algo, mesmo que seja uma lenda, se torna popular, a nossa tendência é aceitar.

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Eu vejo o Papai Noel simplesmente como uma espécie de motivação para as pessoas serem mais bondosas umas com as outras, infelizmente, só nessa época do ano. Assim como vejo Jesus como uma lição completa de princípios da vida, mesmo, como eu disse antes, ele sendo tão mítico quanto o bom velhinho, pra mim.

A fé/inspiração em algo mítico que é construtivo é algo bom, mas deixa de ser bom quando acreditamos demais nessas coisas e deixamos de acreditar em nós mesmos.
See ya! ;)

11 comentários

Anônimo disse...

Bom texto... mas me pareceu meio ateísta... você é?

leo alves disse...

"Anônimo"...
Obrigado! É o que chamamos de livre-arbítrio. ;)

Anônimo disse...

Então você deve fazer ideia pra onde vai quando morrer, não é?
A Criação do Altíssimo não é nada mítica, é ver para crer.

leo alves disse...

"Anônimo"...
Olha, se você gostou do texto, então você não deve ser um cristão tão notável assim... você sabe, eles são bem severos, então cuidado.

Bom, eu sei pra onde eu vou quando eu morrer: pra debaixo da terra, servir de substrato pra várias formas de vida, até me transformar na própria terra. Isso me deixa grato, e sem temor nenhum.

Amigo, "ver para crer" pra mim é as leis da Física, as reações químicas, a evolução. Isso é mais do que evidente: é a verdade. ;)

Anônimo disse...

Você fala com tanta certeza... E nem quer ser salvo, não quer a vida eterna?

leo alves disse...

"Anônimo"...
Olha, estou sendo legal em publicar seus comentários, visto que você nem se identifica.
Vou parar por aqui, porque como eu disse no começo do post, não quero afrontar ninguém, só quero que você respeite; é o meu blog, minha opinião. Obrigado. :)

Anônimo disse...

hahaha adoro quando vocês ficam sem argumentos! Passar bem! Pode acreditar que há um lugar pra você debaixo da terra! hahahah

káah disse...

"Anônimo"
É mais que óbvio que há um lugar para ele debaixo da terra, assim como há um pra mim e um pra você.
Todos vamos para lá "Vim do pó, para o pó voltarei" seremos enterrados e nosso corpo apodrecerá ...
Não é que ele não tenha mais argumentos, diante de minhas conversas com ele sei que ele tem sim argumentos, e muito bons, ele apenas não quer discutir com alguém que nem ao menos tem a decência de se identificar.
Diga-me acreditas em vida eterna? Que eu saiba ninguém vive para sempre. Acreditas mesmo no céu? Como serie o seu céu, já que queres tanto ir para lá deves ter uma ideia de como seja não é? É claro que sabe, já que você diz que meu amigo vai pro inferno (praticamente disse isso) e quer tanto ir para o céu (nem precisa dizer, eu sei que quer)então deve saber como é, deve saber se é um bom lugar e se o inferno não é.

Vinicius disse...

Leo, por força dos argumentos que você apresentou no texto, resolvi comentar. Ao chegar aqui vi o debate que houve em torno deste texto. Há muitos elos fragilizados. Concordo contigo quando diz que tornaremos a terra. Não há ciência que o contradiga, nem fato observável que o condene a fogueira. Lavoisier estava certíssimo quando disse "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Há, contudo, duas vias as quais devemos (ao que tudo indica, tomar cuidado) é o caminho do fanatismo religioso e o do fanatismo científico. A religião tem como finalidade o acalentamento da sensibilidade, enquanto a razão tem por finalidade orientar essa sensibilidade ardorosa. A religião, e esteja certo que não o falo por inclinações religiosas, pois não as nutro, tem como papel organizar a moralidade do homem através da sua sensibilidade. Sensibilidade essa que a razão orienta na força do questionamento e da reflexão. Por exemplo: fundamentalistas religiosos se tornam homens bomba no oriente médio (com a promessa de que no paraíso encontraram o prêmio pelo sacrifício. Um dos prêmios é a companhia de um harém de virgens); veja: se estes homens se inclinassem ao uso da razão como forma de orientar essa crença, provavelmente os homens bomba não existiriam mais (e eles existem há muitos anos!); ou podemos lembrar da inquisição e os casos fúnebres e sombrios da nascente de grande parte das doutrinas religiosas da humanidade. Mas, não podemos parar ai, pois também há casos na ciência de abusos contra o homem devido a uma dormência da sensibilidade: podemos colocar os casos contemporâneos e que vem de longa data a destruição do meio ambiente, promovida inclusive, por cientistas que procuram formas de dominar a natureza, quando na verdade deveríamos coabitar no universo com a natureza e encontrar um equilíbrio. Heine e Marx diziam que a religião é o ópio do povo. Hoje temos que acrescentar “e a ciência também.” Alguns estão na tradição religiosa, outros na tradição cientifica. Não digo com isso que a ciência seja ruim ou mesmo a religião. Digo que devemos ser cartesianos e duvidar, questionar, aferir através da razão com o termômetro da harmonia. Para encerrar posso lhe clarear (assim espero) a dúvida sobre a data do Natal. 25 de Dezembro era uma data pagã, a qual o cristianismo assimilou como forma de substituir as festas pagãs (as quais começaram a ser condenadas como heresias), igualmente se explica desta forma as estátuas (que surgiram como assimilação da cultura pagã grega) e mesmo a hierarquia demonológica (que promoveu os deuses gregos a categoria de demônios), maneiras de cristalizar a nova religião e acabar com os vestígios do paganismo.

Abraço

leo alves disse...

Vinicius,
Muito, muito bem observado! :) É aquela coisa do "tudo em excesso é ruim".
Mas minha opinião tende a afirmar que o fanatismo religioso é mais propenso à riscos - étnicos, ideológicos, etc.
Me baseio na ideia de que a fé sempre deixa/deixou dúvidas, enquanto a ciência não; e quando há, ela busca esclarecê-las. Além de que a ciência nunca imprime uma autoridade sobre nós; ela simplesmente mostra as coisas como são. E que fique claro que não estou colocando uma contra a outra.

Até. :)

Vinicius disse...

Leo, certamente que não estás a colocar uma tradição contra a outra. São tradições e meios de conhecer o mundo de ordem distinta. Temos dois tipos de fanáticos: o religioso que na fragilidade de sua crença (pois não tem alicerces racionais, apenas misticos) é fundamentalista e autoritário, de maneira que ele impõe com a força do seu discurso a crença. E o fanático cientifico ou fundamentalista cientifico, o qual imprime uma autoridade na medida em que o vulgo apenas reconhece sua autoridade, em vista que o vulgo permanece à margem do conhecimento e da cultura. Por exemplo: a partícula de deus (que os cientistas estão estudando) o vulgo não tem ideia da importância desse estudo, contudo, assim que ele for promovido ao posto de descoberta científica, então será cristalizado pelo ideário humano e as primeiras dúvidas vão se dissipar dando espaço para a forma autoritária da ciência – vou mais longe: ouse questionar o movimento heliocêntrico! Vão dizer que você está louco! Quando isso ocorre, quando o pensamento está encarcerado em si, há o princípio da crise da razão, além de outras formas da crise – perdemos a capacidade de criticar e isso é terrível. E temos que lembrar que a ciência ainda é jovem, enquanto a religião é velhíssima. Quando perdemos a capacidade da crítica corremos o risco de ceder espaço ao fanatismo. Temos que reconhecer como Sócrates: "Sei que nada sei e eis a minha ciência."

Abraço

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